Você resolveu virar fotógrafo. E agora?

Claro que sempre defenderei que a fotografia é uma profissão fabulosa. Depois que comecei a fotografar e aprender mais sobre a profissão, meus ídolos passaram a ser os grandes nomes da fotografia do passado. Uns atuantes, outros já se foram (afinal, um fotógrafo trabalha até o último suspiro).

Mas estaria mentindo se dissesse: “pode vir que o sucesso é garantido”. Apesar de eu amar essa profissão, tenho total ciência dos percalços para chegar ao sucesso. E eu ficarei muito feliz se eu puder ajudar um jovem fotógrafo a evitar os perrengues que eu passei (jovem não no sentido de idade, mas de estar enveredando agora para a carreira). Pegar um caminho errado é quase certo. O conhecimento faz com que você erre menos, mas não evita que vez ou outra quebre a cara. E tá tudo bem, faz parte do seu aprendizado, da aquisição do conhecimento na área. Eu vou dedicar este artigo aos retratistas dos mais diversos seguimentos: moda, sensual, corporativo ou o simples retrato de pessoas comuns.

A primeira pedra na qual você irá tropeçar no caminho é em relação aos preços de equipamentos. Mas se você conseguir pelo menos ter uma câmera DSLR ou mirrorless, fullframe ou de entrada, Nikon, Canon ou Sony, já se dê por satisfeito (pelo menos por agora) afinal você tem uma ferramenta que mudou e continua mudando o mundo ao alcance das suas mãos. E acredite, mesmo sua câmera sendo de entrada, com a lente do kit, você conseguirá fazer imagens que encantem e que mexam com os sentimentos de quem as vê.

Porém, é da natureza humana buscar sempre novos desafios, novos aprendizados. E por mais que só você e sua câmera já tenham mexido com os corações da sua audiência, você vai querer experimentar coisas novas, saber até onde vai sua capacidade. Uma semana antes de escrever este artigo, dei uma mentoria sobre edição no Lightroom pra uma turma que estava se formando em uma escola de fotografia. O dono da escola me jogou lá em dois grupos do WhatsApp com os alunos para combinarmos data, horário, etc. Uma turminha muito bacana e muito unida. E numa das conversas entre eles surgiu o lamento de uma aluna dizendo: tem cliente me procurando mas eu não tenho um flash. Eu me intrometi e disse a ela que procurasse convencer a cliente a fazer o ensaio em um local ao ar livre ou que tivesse uma bela janela com cortina (softbox dos deuses) e que fizesse o ensaio de dia. A aluna achou uma boa ideia e assim o fez. Mas eu sei que lá no fundo bateu aquele leve desespero. Algumas perguntas começaram a pairar, como: e se o cliente só puder a noite? E se for num local fechado, sem janelas? E se eu precisar fazer um preenchimento?

Como eu sei disso? Simples: passei exatamente pelos mesmos dilemas. No curso que eu fiz de fotografia eu era o único pé-rapado que não tinha flash. Essa aula eu não fiz, só observei os colegas. E dessa turma que eu fazia parte, sabe quantas pessoas realmente seguiram carreira na fotografia? Uma! Eu. O que me garantiu isso? A sede de conhecimento.

Mas ok, vamos ao que interessa. Uma boa forma de adquirir conhecimento e de montar seu primeiro portfólio é testando bastante, principalmente a iluminação criativa. O dia que você dominar a luz, você faz praticamente qualquer estilo de fotografia. Só que você não tem nem flash, nem tocha, nem modificador e quem dirá um estúdio. Quer saber a solução? Alugar! A locação de estúdio costuma ser bem acessível e permite que você tenha vivência no segmento e contato com os equipamentos de iluminação. Saber o funcionamento e posicionamento de equipamentos de iluminação te abre portas para montar qualquer setup em qualquer estúdio. Existem estúdios que permitem alugar por diária, como o da Echoes por exemplo. E se mesmo assim o preço ficar pesado para pagar sozinho, chame a sua turma, mande um Whats lá no grupo de fotógrafos, marquem um shootinday. O valor é dividido entre a galera e ainda por cima o conhecimento é compartilhado.

Eu conheci muitos colegas durante meu curso de fotografia que diziam assim: “ah, tal fotógrafo famoso só fotografa com luz contínua e quero seguir na mesma linha”. O que não foi falado é que o estilo você escolhe só depois que já testou de tudo. E outra coisa: no começo você vai precisar atender a demanda do seu cliente e não impor um estilo que talvez nem você tenha certeza de qual é. Um dos seguimentos que eu fotografo é moda. No dia seguinte ao que estou escrevendo este artigo, tive uma cliente que quis fotografar lookbook de moda praia em estúdio. Imagina se eu chego pra ela e digo: “olha, meu estilo é luz contínua, de preferência do sol. Mas como não bate sol aqui dentro, então vou fazer com a luz do teto mesmo. A foto vai granular, as sombras ficarão esquisitas, terei que usar muito Photoshop, mas esse é o meu estilo e você terá de lidar com isso”. Eu tenho certeza eu a cliente iria colocar as peças dela de volta na mala e me dar um sonoro adeus. E olha, hoje eu amo iluminação por flash mas já fui no passado do time da luz contínua.

Um outro exemplo de que devemos ser mais flexíveis é o do Sebastião Salgado. Hoje ele é conhecido como um dos maiores fotógrafos documentais do mundo. Duas de suas marcas na fotografia é o preto e branco e o contraluz. Mas você sabia que o Salgado já fez retrato, sensual, nu e, pasmem, até fotos coloridas? Pois é, como qualquer fotógrafo no começo de carreira, ele tinha que entregar o que o cliente pedia, ou seja, o que dava dinheiro. Com o tempo que ele foi ganhando respeito e se tornando autoridade no seguimento. E quando chegou o momento, o Tião bateu o pé e disse: minhas fotos são em preto e branco, aceitem.

Acho que viajei muito no assunto né? Tudo isso pra dar esse conselho de alugar um estúdio para aprimorar o seu conhecimento e ir criando as primeiras fotografias do seu portfólio. Pra variar, tô com insônia e resolvi sentar em frente ao PC pra escrever. Mas apesar disso, quando escrevo, sinto que estou batendo um papo contigo. Ah! Como eu gosto de longas conversas. Se for sobre fotografia então, tudo fica perfeito. Espero que esse papo tenha aliviado o seu coraçãozinho angustiado, que acha que os perrengues só acontecem contigo. Espero também ter enriquecido o seu conhecimento e te estimulado a continuar com o seu sonho. Pedras, percalços, obstáculos, todos nós enfrentamos todos os dias. Mas apesar de tudo isso, nunca deixe de fotografar!

Estúdio da Echoes Fotografia. Disponível para locação. Link no topo da página.

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Sobre o autor deste artigo:

Diego Fernandez

Diego Fernandez

Natural de São Caetano do Sul, Diego Fernandez é fotógrafo profissional desde 2012. Começou sua carreira trabalhando com tecnologia, porém nunca deixou de lado sua paixão pela fotografia. Tem por vocação fotografar pessoas, por isso sempre enveredou para retrato e fotografia de moda. Foi inspirado principalmente por fotógrafos latinos e europeus como Sebastião Salgado, Mário Testino e Peter Lindbergh.
Diego Fernandez

Diego Fernandez

Natural de São Caetano do Sul, Diego Fernandez é fotógrafo profissional desde 2012. Começou sua carreira trabalhando com tecnologia, porém nunca deixou de lado sua paixão pela fotografia. Tem por vocação fotografar pessoas, por isso sempre enveredou para retrato e fotografia de moda. Foi inspirado principalmente por fotógrafos latinos e europeus como Sebastião Salgado, Mário Testino e Peter Lindbergh.

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